Transito caótico. São Paulo cada vez mais travada. Quem anda por ai escuta o tempo todo. Com 700 carros sendo jogados nas ruas todos os dias pelas montadoras, todo mundo sabe que um dia São Paulo vai parar. Taxistas, motoristas de ônibus, caminhoneiros, policiais. Qualquer profissional que lida com trânsito tem consciência de que um dia isso vai acontecer.
Quando trava é embaçado. Só andam mesmo os motoboys, desviando seus joelhos dos retrovisores com o dedo nas buzinas agudas que cada um toca de um jeito diferente.
Imagino como vai ser o dia em que São Paulo parar. Vai ser zica e quero estar lá pra fotografar.
Vai ser uma sexta-feira a tarde, vai estar calor e uma tempestade daquelas de janeiro vai precipitar o desastre. Carros e motos vão entupir todos os buracos possíveis travando de vez a maior cidade da América Latina.
O trânsito é o sangue que circula nas veias da metrópole. Sem sua circulação, as entregas, encontros e correrias não alcançam o destino. A cidade vai sendo asfixiada. É a morte via sistema circulatório, a crônica da tragédia paulistana anunciada.
A indústria faz a parte dela e aumenta a produção de veículos novos mesmo sabendo que eles são nocivos. Quando a cidade morrer de vez elas se mudam para a outra; são multinacionais.
Políticos só pensam em si e já deixaram isso claro. Liberam a indústria para fazer o que quiser. Tentam estar sempre próximo do dinheiro que elas pagam de imposto e dos financiamentos de campanha.
Enquanto isso, os carros que o governo libera e indústria automobilística constrói seguem entupindo as ruas como a gordura da picanha entope as artérias do coração.




