



O grande barato de uma cidade como São Paulo, é que por mais que você circule, por mais que você rode, por mais que você conheça, sempre aparece uma coisa nova capaz de fazer teu queixo cair e te emocionar.
Ontem foi assim, quando cheguei de mansinho na Casa de Cultura de Santo Amaro, na zona sul, pra assistir ao Samba da Vela, uma roda de samba tradicional que acontece toda segunda feira desde 2000 numa travessa da avenida João Dias.
O funcionamento é simples: Pontualmente às 21:00h um dos membros pendura o estandarte na parede e o presidente acende uma vela no centro de uma mesa cercada por músicos e ouvintes. Junto com o fogo, o samba começa pra só acabar na hora em que chama da vela se apaga.
Uma folha de papel traz a lista de compositores presentes e um a um eles são chamados ao centro da roda numa espécie de Cooperifa do Samba. Eles chegam dos quatro cantos da cidade: Capão, Mogi, Itaim Paulista, Jd. Ângela e outras tantas quebradas pra apresentar sua composição. Cada um que chega traz consigo varias cópias da letra da música inédita que vai mostrar e as distribuí de mão em mão para os presentes. Ainda timidamente, acompanhado por um cavaquinho, o compositor canta e ensina seu samba a todos. A música ali tocada pela primeira vez é, na seqüência, acompanhada pelos músicos como se eles já a conhecessem de outros carnavais. Ajudados pelo papel com a letra, os ouvintes cantam junto com os compositores. Cavaquinho, tan-tan, violão, pandeiro, tamborim e o tradicional sorriso de felicidade que os sambistas exibem quando tocam seus instrumentos são a marca da festa.
A democracia e o respeito dão o tom da roda. Qualquer um pode chegar e cantar. “Aqui o silêncio é uma prece” diz o enorme cartaz preso a parede e respeitado por todos. Não são vendidas bebidas alcoólicas e não há clima de balada. Quem esta ali quer apenas ouvir boa musica, objetivo facilmente atingido pelas cerca de cem pessoas presentes.
Num país em que as gravadoras só pensam em lucro fácil com musicas ruins contaminando a cultura de um pais tão rico musicalmente, o Samba da Vela é um alento.
A vela apagou, o samba cessou e entendi que quem diz por ai que São Paulo é o tumulo do samba está mesmo de chapéu atolado...
4 comentários:
que beleza, joão.
sempre curti tuas fotos. mas os textos são bons pra caramba também.
valeu!
que coisa linda!
Tá demais heim maluco. Os textos também são foda mesmo.
João também gosto muito das fotos, assisti esses dias uma entrevista sua e até me animei em colocar minhas fotos no flicker, foi por dia suas procurei imagens mas não encontrei, pena.
Ai vai, mas to começando agora
http://www.flickr.com/photos/taisasoares/
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