O ano era 1986 e o lendário José Luis da Conceição um dos principais fotógrafos do extinto jornal Notícias Populares.
Numa tarde calma na redação, chegou por telefone a notícia de que em Itaquera, três porquinhos haviam nascido com feições humanas. Isso era um prato cheio para o jornal, que vendia feito água quando publicava esse tipo de bizarrice.
Zé Miguel, um dos motoristas mais antigos da empresa foi designado para leva-lo até lá. Estava eufórico pois estreava seu carro novo, um Passat 86, último tipo, ainda com os bancos forrados de plástico, que segundo ele de tão possante chegaria até no inferno, caso fosse preciso.
Em Itaquera, uma íngreme rua esburacada de terra levou-os até a casa, onde uma multidão se acotovelava na porta tentando ver os suínos com cara de gente. Zé Miguel gabou-se ao perceber a facilidade com que o carrão subiu aquela ladeira.
Conceição desembarcou e entrou na casa perguntando pelos porcos. Foi recebido pelo dono, um homem alto, sujo de terra, sem camisa, vestindo um bermuda apertada e com uma enorme barriga flácida saltando para fora, que contou que os porquinhos haviam sido mortos pela mãe.
Alegando que o mundo precisava conhecer aquela história triste, Conceição gentilmente convenceu o dono do chiqueiro a segurar os porcos mortos na mão para que ele os fotografasse. O dono orgulhoso, obedeceu e levantou-os, dois na mão esquerda e um na mão direita deixando seu rosto entre os três porquinhos mortos.
Enquanto fotografava, Conceição ouviu um grito vindo do corredor:”Esse filho-da-puta vai por no jornal que meu tio é o pai dos porcos” disse o sobrinho do dono do chiqueiro enquanto corria para cima do fotógrafo com um facão enferrujado na mão.
Antes de fugir, só deu tempo do Conceição perceber que realmente o dono era muito parecido com os porquinhos e que aquilo daria uma manchete incrível para o Notícias Populares do dia seguinte.
A correria foi geral. A multidão na porta da casa gritava de “lincha!” e “vai morrer!” enquanto dava tapas e chutes no fotografo.
Quando finalmente chegou perto do carro, Conceição viu o Zé Miguel desesperado, vendo a multidão tentar virar de cabeça para baixo seu Passat 0km, que havia saído naquela manhã da concessionária. O fotógrafo entrou no carro clicando enquanto choviam pedras e pedaços de pau no capô e nos vidros do carro deixando-o completamente destruído.
No dia seguinte, a capa do NP pendurada em todas as bancas contando a saga dos porquinhos com cara de gente arrancava sorrisos dos que passavam pela rua, mas o Zé Miguel, que não tinha seguro do Passat, nunca mais perdoou o Conceição.
27/06/07
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5 comentários:
ótima história.
parabéns pela revista FS.
um ótimo argumento!
tadinho do ze miguel...
beijos, joao
Olá João, trabalho no Estadão e já mostrei seu blog para o Conceição. Ele ficou super orgulhoso. Parabéns.
Em minha cidade também teve um caso parecido, não me lembro direito, mas um masceu com uma tromba, tipo de elefante, outro com cara de gente e outro parecido com cara de macaco eu acho... As fotos estão na Prefeitura de Paracatu/MG. Na época fizeram fila pra ver os porquinhos.
E comentaram que um senhor teve relações sexuais com a porca. hehehehe, que maldade. Ontem mesmo fui na casa dele consertar uma fonte, pois ele é um ótimo técnico em eletrônica, mas não tinha nada a ver, pois a porca era tratada com água contaminada, onde alguns garimpeiros clandestinos, garimpavam, daí o motivo dos porquinhos nascerem com tal características.
Agora essa história é bem mais engraçada! hehehehe Parabéns!
Sim, provavelmente por isso e
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